Até o verso ficar

Tirar a carne, toda,
até o verso ficar
com a sonora escuridão do osso.
E o osso desbastá-lo, poli-lo, aguçá-lo
até converter-se em agulha tão fina,
que perfure a língua sem dor,
apesar de o sangue entupir a garganta.



Francisco Hernández
Tradução A.M.

2 comentários:

Daniel Ferreira disse...

Grande poema. Aliás, como quase todas as traduções escolhidas.

(Só um pequeno reparo - certamente foi distracção -: "poli-lo" e não "puli-lo".)

Cumprimentos.

luís nunes nunes disse...

corrigido.