Vésperas portuguesas

o dia corre de poente para nascente, a chuva
é um lençol tenso sobre os velhos que separam
as lembranças, com palavras que não chegam
a dizer: esquecem os subterfúgios do tempo
e avançam cambaleantes pelas grandes fissuras
entregues ao despovoamento alucinante

no interior dos carros, os crimes
são ligeiras confidências



Rui Nunes
Ofício De Vésperas
Relógio D'Água, 2007

1 comentário:

Sinhã disse...

apenas interior do tempo. :-)