À minha mãe

Escuta, à noite, como a seda se rasga
e a chávena de chá cai sem ruído no chão
como por magia
tu que tens só doces palavras para os mortos
e levas na mão um ramo de flores,
à espera da Morte,
que tomba de seu corcel, ferida
por um cavaleiro que a prende com seus lábios brilhantes,
e chora pelas noites a pensar que o amavas,
e diz vem para o jardim, olha as estrelas como caem,
vamos falar em sossego, que ninguém nos ouça,
vem, escuta, falemos dos móveis,
tenho uma rosa tatuada no queixo
e um bastão com punho em forma de pato,
dizem que chove por nós e é nossa a neve
e agora que o poema se fina
digo-te como criança, vem,
eu fiz um diadema
(vem para o jardim e verás como nos abraça a noite).

Leopoldo María Panero
Poemas del Manicomio de Mondragón
Hiperion, 1997

Tradução A.M.

1 comentário:

Maria Costa disse...

Gosto muito da poesia de Panero.
Excelente tradução.

Bem haja A.M.