rosa-dos-ventos

Passam, lá ao fundo, na estrada, os animais tardios.
Vão sem destino e sem direcção.
Lembrarás que foi assim a tua infância: um lugar
onde cabiam todos os lugares e a direcção eram todas
as direcções. Vivias montado na garupa dum cavalo
sem crinas e sem freio, cujas patas não pisavam o chão.
E era o fogo, que por ali andava à solta, que o impelia
em todas as direcções da rosa-dos-ventos.



Albano Martins
O Mesmo Nome
Campo das Letras, 1996

1 comentário:

luís f. nunes disse...

Gosto disto e não sei porquê, mas pela primeira vez um poema de Albano Martins fez-me lembrar Luís Quintais
- ou o contrário, que fará mais sentido.