O amor é o homem inacabado

Todas as árvores com todos os ramos com todas
[as folhas
A erva na base dos rochedos e as casas
[amontoadas
Ao longe o mar que os teus olhos banham
Estas imagens de um dia e outro dia
Os vícios as virtudes tão imperfeitos
A transparência dos transeuntes nas ruas do acaso
E as mulheres exaladas pelas tuas pesquisas
[obstinadas
As tuas ideias fixas no coração de chumbo nos
[lábios virgens
Os vícios as virtudes tão imperfeitos
A semelhança dos olhares consentidos com os
[olhares conquistados
A confusão dos corpos das fadigas dos ardores
A imitação das palavras das atitudes das ideias
Os vícios as virtudes tão imperfeitos

O amor é o homem inacabado.


Paul Éluard
Algumas das palavras
Publicações Dom Quixote, 1977
Tradução de António Ramos Rosa e Luísa Neto Jorge

2 comentários:

Gisela Rosa disse...

..."saboreando o simples na densidade na densidade límpida" António Ramos Rosa, em Dinâmica Subtil

luís nunes disse...

é muito bom este poema, não conhecia.