As sevadilhas

Vi-as crescer no meio das valetas,
nas divisórias das auto-estradas,
em privados jardins, e luxuosos,
e em redor de blocos de tijolo
em subúrbios tão tristes como o homem.
Espanta-me que sejam tão bonitas,
que se adaptem tão bem a qualquer meio,
precisem de tão poucas atenções.
Espanta-me que sejam venenosas.



Amalia Bautista
Trípticos Espanhois-3º
Relógio D’Água, 2004
Tradução de Joaquim Manuel Magalhães

2 comentários:

mar disse...

conhecer amalia bautista é uma honra. esta é uma forma de me mostrares o quão ricas são as tuas escolhas, a versatilidade dos teus poemas bruno não me confundiu nunca, sempre te imaginei sentado a ler qualquer coisa, boa, que nunca te soube fraco leitor. és um artista bruno e é um prazer e um orgulho caminhar por aqui contigo e com o luís, num lugar mal situado mas muito bem habitado.

um beijo terno em ti e obrigada.

Anónimo disse...

A mim espanta-me também que sevadilhas e homem, tenham tanto em comum...