Nunca te amei tanto

Nunca te amei tanto, ma soeur,
Como quando de ti parti naquele pôr-de-sol.
O bosque engoliu-me, o bosque azul, ma soeur,
Sobre que já pousavam as estrelas pálidas a oeste.
Não me ri nem um pouco, nada, ma soeur,
Eu que a brincar ia ao encontro dum destino escuro -
Enquanto os rostos já atrás de mim
Devagar empalideciam no anoitecer do bosque azul.

Tudo era belo naquele anoitecer único, ma soeur,
Nunca mais depois e nunca antes assim -
Verdade é: só me ficaram as grandes aves
Que ao anoitecer têm fome no céu escuro.



Bertolt Brecht

Poemas
Asa, 2007
Tradução de Paulo Quintela

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