Outubro, outono de 1993

O forte traz bandeiras hasteadas
no seu corpo de ruína
e o pano das muralhas,
papel de grave e negro vinco rompe
o céu e o mar - o mar, azul
inferno, vence na placidez
outonal os limites do Carvoeiro e
a nevoada Berlenga. A cruz do adro
foi apeada. Resta do cruzeiro
esboroada pela pedra. Primeiro
anunciaram a morte de deus - e
deus deixou-se morrer. Depois
mataram o rei - e o rei deixou-
-se matar.
Amanhã
o que irá acontecer ao azul do céu e
.......................................do mar?
Haverá sempre quem cante
quem morra de outra maneira.



João Miguel Fernandes Jorge
O Barco Vazio
Editorial Presença, 1994

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