Escuridão (vai por mim)

Não estou com grande disposição
p'ra outra enorme discussão
tu dizes que agora é de vez
fico a pensar nos porquês
nós ambos temos opiniões
fraquezas nos corações
as lágrimas cheias de sal
não lavam o nosso mal

e eu só quero ver-te rir feliz
dar cambalhotas no lençol
mas torces o nariz e lá se vai o sol

dizes vermelho, respondo azul
se vou para norte, vais para sul
mas tenho de te convencer
que, às vezes, também posso...
ter razão!

também mereço ter razão
vai por mim
sou capaz de te mostrar a luz
e depois regressamos os dois
à escuridão

Se eu telefono, estás a falar
ou pensas que é p'ra resmungar
mas quando queres saber de mim
transformas-te em querubim
quero ir para a cama e tu queres sair
se quero beijos, queres dormir
se te apetece conversa
estou numa de meditar

e tu só queres ver-me rir feliz
dar cambalhotas no lençol
mas torço o meu nariz e lá se vai o sol
dizes que sou chato e rezingão
se digo sim, tu dizes não
como é que te vou convencer
que, às vezes, também podes...

(Escuridão)

ter razão!
também mereces ter razão
vai por mim
és capaz de me mostrar a luz
e depois regressamos os dois
à escuridão

Atenção!
os dois podemos ter razão
vai por mim há momentos em que se faz luz
e depois regressamos os dois
à escuridão



Jorge Palma
Norte, 2004

4 comentários:

bruno sousa villar disse...

Felizmente há pessoas como tu, Liliana, que têm da poesia uma visão alargada, e que se confunde com a visão que se aprende a tecer da própria vida.


Beijo

Liliana Jasmim disse...

felizmente ou infelizmente,
dependendo do ponto de vista.

beijo.

Ana disse...

bom post:)

adoro o Palma.

Susana A. disse...

o grande
Jorge Palma,

beijo Liliana*