Mostrar mensagens com a etiqueta violeta c. rangel. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta violeta c. rangel. Mostrar todas as mensagens

De passagem

Um copo de vez em quando
e roupa limpa embora não brilhe. Um joguito
e dez livros ou quinze, melhor ainda se roubados.
Um meco guapo que saiba alguma coisa.
Um chulo não, nem um marado.
Guardai o resto para vós.
Eu estou de passagem.


Violeta C. Rangel
Tradução A.M.

Podia ser ontem

Podia ser ontem ou no verão passado,
numa dessas tardes tontas
quando eu andava a saltar dos comboios
ou a beber rum atrás desses cromos.

Mas não, deste em voltar
logo a esta hora,
quando não chove nem faz frio
e eu estou triste, já sem vontade sequer
de abrir meu sangue a ninguém.

Enfim, logo agora,
em que a onda está por terra,
eu com vontade de morrer
a qualquer preço, é quando escuto
os teus passos na erva,

e chamas, chamas... ó deus!

e eu corro a abrir-te.


Violeta C. Rangel

Tradução A.M.

lá fora

Já te aviso, lá fora
ladram cães,
e um espelho contempla
gelado a tua cabeça.
Não abras o estanco,
não abras,
vamos fingir outra vez
que aqui não há luz,
que estamos mortos.



Violeta C. Rangel
Tradução A.M.

Tatuagem

Olhas para ele divertida e convidas-te a um copo.
Se a sua história fosse boa,
se tratasse de uns homenzecos sujos,
de drogas ou de hotéis vermelhos como um corno,
de uma morte não explicada
ou de uma vida inexplicável,
a coisa, querido, mudaria.
Mas não. O pacóvio palra e palra de Acapulco,
canta Aznavour com voz de franciscano.
Eu sou, atira-te, gémeos, e tu,
espera querida, espera, tu és touro.

Assim é como o gajo
consegue uma queca lá na tribo dele.

Com isto do amor, digo-lhe por coqueteria,
vai bem o bâton gretado,
os parques remotos, o cigarro sozinha,
as luas amolgadas,
os carros espatifados.

Levanto-me para comprar Gauloises.
Deixo-o com os olhos
afundados no copo
ainda mais turvo que os meus olhos.
Já na rua,
penduro-me de um catalão
E trauteio esta canção de Piquer:
E ele veio num baaarco…



Violeta C. Rangel