Rendidos ao mal e aos desejos,
amam o sangue e os turvos prazeres,
o vértice infinito dos lábios,
o perigo que espreita nas curvas.
Mas seu corpo é belo e sedutores
os olhos como ramos de lilases,
têm hortos escondidos nos lábios,
cálidos rios em sua pele nocturna.
Tudo se ignora da sua origem.
São uma raça estranha de formosos
fulgores. Larga dor de desejos.
Dar-lhes-ias a vida como ébrio,
porque há rosas de amor em seus lábios
e nada importa o mal em corpos belos.
Luis Antonio de Villena
Tradução A.M.
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Arte de viver
Viver sem fazer nada, cuidar do que não importa,
a gravata de tarde, a carta que escreves
a um amigo, a opinião sobre uma tela, o conteúdo
da palestra, mas que não terás o mau gosto
de querer escrita. Beber, esse prazer efémero.
Amar o sol e aspirar ao Verão, ou o Inverno
lentíssimo que convida à saudade (e donde
essa saudade?). Sair todas as noites, compor
o foulard ao espelho com esmero e carinho,
embriagar-te de beleza quanto puderes, perseguir
e anelar jovens corpos, planuras prodigiosas,
todo o mundo que cabe em tanta euritmia.
Deixar manhãzinha tão fantásticos leitos
e cheirar as mãos enquanto chamas um táxi, gozando
na lembrança, pois falam de véus e delícias,
escondidos lugares e perfumes sem nome,
doces como os corpos. Que frio amanhecer então,
que triste e que belo. Os lençóis te acolherão
de seguida, um tanto ermos, e esperarás pelo sono.
Do dia que virá nada sabes. (Não consultas
oráculos). Hão-de queimar-te fastios e emoções,
tertúlias e belezas, as rosas de um banquete
sumptuoso, e as velhas ruelas, onde se sente
tudo, no verão, como intenso aroma.
Viver sem fazer nada. Cuidar do que não importa.
E se tudo correr mal, se tudo for duro a final,
como Verlaine, saber ser o rei de um palácio de inverno.
Luis Antonio de Villena
Tradução A.M.
a gravata de tarde, a carta que escreves
a um amigo, a opinião sobre uma tela, o conteúdo
da palestra, mas que não terás o mau gosto
de querer escrita. Beber, esse prazer efémero.
Amar o sol e aspirar ao Verão, ou o Inverno
lentíssimo que convida à saudade (e donde
essa saudade?). Sair todas as noites, compor
o foulard ao espelho com esmero e carinho,
embriagar-te de beleza quanto puderes, perseguir
e anelar jovens corpos, planuras prodigiosas,
todo o mundo que cabe em tanta euritmia.
Deixar manhãzinha tão fantásticos leitos
e cheirar as mãos enquanto chamas um táxi, gozando
na lembrança, pois falam de véus e delícias,
escondidos lugares e perfumes sem nome,
doces como os corpos. Que frio amanhecer então,
que triste e que belo. Os lençóis te acolherão
de seguida, um tanto ermos, e esperarás pelo sono.
Do dia que virá nada sabes. (Não consultas
oráculos). Hão-de queimar-te fastios e emoções,
tertúlias e belezas, as rosas de um banquete
sumptuoso, e as velhas ruelas, onde se sente
tudo, no verão, como intenso aroma.
Viver sem fazer nada. Cuidar do que não importa.
E se tudo correr mal, se tudo for duro a final,
como Verlaine, saber ser o rei de um palácio de inverno.
Luis Antonio de Villena
Tradução A.M.
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