Mostrar mensagens com a etiqueta pedro gil-pedro. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta pedro gil-pedro. Mostrar todas as mensagens
De como uma gárgula
pesponta o dorso e se arruma


por nódulos ao invés da floração.

do cuidado com que se contorce
como ajusta nas vasas o coágulo estaminal.


do modo como balança


e nidifica como ascende do pecíolo
às básculas e de nervo a nervo


se liga por meio do seu porte regular.

de como implanta o óxido
pela aceração dorsal dos caudais.



Pedro Gil-Pedro
Para que ninguém sobreviva ao perdão
Cosmorama, 2008
Ante os freios
silvestres matura o fogo


entre a matriz e as escaras.


o guincho precede
a dor - e no entanto
elas traçam os bulbos


fungíveis ao redor do eco.


a pedra cresce.
assim seja.


Pedro Gil-Pedro
Para que ninguém sobreviva ao perdão
Cosmorama, 2008

Ardem inteiras

Ardem inteiras
como um edema metalúrgico
como poços de força

e de compaixão, nada
se sabe do homem que enxugou
a luz sob as artérias
negras do fogo

e os alicerces da pedra.

mas nos dedos
que arrefecem sobre o tear

há-de repousar o sangue
mais antigo de que há memória:

para que ninguém sobreviva ao perdão.



Pedro Gil-Pedro
Para que ninguém sobreviva ao perdão
Cosmorama, 2008

Desciam às estâncias do frio

Desciam
às estâncias do frio

o metal pesado nas mãos


e resplandeciam -

tolhidas pelo silvo vertical das
nascentes

às vezes
eram badalos de tristeza -

as manadas abertas do cio

vinhas com elas.



Pedro Gil-Pedro
Animais Cheios De Movimento No inverno
Quasi Edições, 2002